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domingo, julho 5

Saudades que angustiam

Meu professor de português no 3º ano ensinou que a palavra "saudade" não pode ser usada no plural, que "saudades" é errado, mas eu discordo. Discordo dele e da gramática normativa quando digo: sinto saudades! Múltiplas e dilacerantes saudades. Saudades de tudo. Dos meus avós, dos meus amigos, da minha irmã, da vodca de segunda que eu tomava outro dia, dos abraços que eu não retribuí como deveria, do amor que eu talvez não tenha sabido corresponder, ou que ao menos eu não soube demonstrar abertamente sem medo de julgamentos (às vezes -quase sempre- mais meus que dos outros). Sinto saudades dos que amo, dos que não amo, dos lugares, dos momentos, sinto saudades de mim. Me angustio com todas essas saudades dentro do meu peito (dane-se se as emoções veem do cérebro). Meu coração aperta sempre me encontro sozinho depois de experimentar companhia dos que amo. Talvez o que me angustie não sejam essas tais saudades plurais, mas a minha incapacidade de me demonstrar por completo. Talvez o que vem me matando essa semana seja eu saber que não consigo dizer tudo o que penso e sinto sempre, saber que há pessoas que me amam que pensam-se não correspondidas. Acordei de madrugada há uns dias e passei a escrever sandices em silêncio e nem sei bem o por quê de eu transpô-las aqui, sem qualquer fidelidade e tentando refinar e organizar o que escrevi. Me sinto mal porque às vezes acho que me enxergam apenas como alguém crítico e engraçado sem mais nada. Me sinto mal por ter essa imagem tosca a anormal de alguém que nunca é o ombro amigo, de alguém que até os melhores amigos acham frio, não por ser calculista e sem emoções, mas por ser incapaz de me mostrar por completo e de dizer te amo, ou mesmo de me sentir íntimo de alguém por minha iniciativa sem sentir vertigem e medo. Não amo todo mundo, nem faria questão disso e raramente tenho boas impressões sobre as pessoas, mas queria deixar claro às pessoas que eu amo que é isso o que eu sinto. Não falo aqui de depoimentos no orkut ou de parabéns mais elaborados no aniversário, muito menos que estar no mesmo grupo num trabalho ou de contar piadinhas e torrar a paciência, falo de dar um abraço acolhedor, de chorar no ombro sem qualquer vergonha e de estar preparado para receber as lágrimas salgadas dos outros em meus ombros de velho.


morro de saudades, mas já fugi do assunto, então paro aqui sem conclusão alguma e esperando minha mãe para tentar dar-lhe um abraço apertado e sincero!

2 comentários:

  1. momento ímpar na minha vida:
    um pessimismo arrogante
    de que adianta ter saudades
    se não pode ter nada de volta
    um novo pai solteiro falando sobre a revolta
    da vida...

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  2. Então será um eterno saudosista? :)

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